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As crianças com hidrocefalia associada a mielomeningocele têm grande chance de apresentar
alguma dificuldade durante o processo de aprendizagem. Estudos feitos no exterior mostram
algumas características dessas crianças que passamos a descrever
abaixo:
Na fase pré-escolar a capacidade lingüística delas está melhor que a capacidade de desempenho motor.
Elas produzem frases como adultos, dentro de contextos apropriados,
tornando-as muitas vezes engraçadas. Na verdade, elas não têm ainda
compreensão do que estão dizendo.
Na alfabetização,
quando começam a ser treinadas na escrita, elas podem encontrar
dificuldade em copiar e aprender símbolos. A habilidade motora mais
fina pode atrasar um pouco mais a se desenvolver, por isso, elas
demoram mais para escrever e a caligrafia pode não ser tão boa, mas
em geral as crianças com espinha bífida e hidrocefalia aprendem a
escrever.
Durante o ensino
fundamental uma questão que começa a ficar em evidência é o fator
tempo. Nesta fase estabelece-se tempo para execução de tarefas e
quando a escrita é mais lenta, essas crianças têm mais dificuldade e
se atrasam. É preciso tomar cuidado, se for o caso, um profissional
especializado em educação deve orientar a escola para reduzir a
quantidade da escrita e assim evitar que a criança faça um esforço
enorme, se cansando muito e o pior, ficando frustrada por não
conseguir terminar a tarefa.
Sabemos que a
auto-estima é fundamental para qualquer pessoa no processo de
aprendizagem. Os pais precisam ajudar interagindo na escola porque
os professores nem sempre têm consciência dessas questões. No
processo de inclusão, as crianças que têm necessidades educacionais
especiais e estão nas escolas de ensino regular precisam contar com
a ajuda dos pais e educadores como facilitadores da aprendizagem,
caso contrário, correm o risco de se sentirem excluídas em nome da
inclusão.
A partir da 5a.
série é exigida das crianças mais auto-iniciativa. Os professores
pedem mais trabalhos e os trabalhos exigem certa estruturação para o
planejamento e a organização das tarefas. Essas crianças apresentam
significativa dificuldade para fazer isso. Quando elas não entendem
uma tarefa proposta, elas têm dificuldade em buscar estratégias
alternativas para fazê-la de maneira diferente (isto se deve a uma
dificuldade de transferência de quadro mental e de flexibilidade) e
desistem diante da dificuldade, conseqüentemente, perdem a atenção.
É comum ouvirmos dizer que elas são distraídas.
Podemos ajudá-las
anotando uma lista de procedimentos passo-a-passo para que elas
possam iniciar o trabalho. Muitas vezes, durante o decorrer do
trabalho é preciso reconduzi-las à estrutura, caso contrário, elas
não terão trabalho para entregar.
Durante o processo
de aprendizagem, a criança pode apresentar dificuldade de
memorização, neste caso, a informação deve ser repetida várias
vezes, da mesma maneira, até que esteja bem registrada na caixa da
memória de longo prazo. Então a informação estará lá para ser usada
quando precisar.
O estudo considera
que os jovens no ensino médio precisam de um assistente porque eles
terão muitas dificuldades. Precisarão saber para onde ir e como
chegar lá, vão lidar com diferentes salas e expectativas dos
professores. Precisarão de ajuda para não se atrasarem nas aulas e
para trazerem os livros certos. É preferível a ajuda de um
assistente até que ele esteja adaptado à nova situação do que
deixá-lo entregue à própria sorte.
Lidar com uma
deficiência na adolescência é lidar com o fato de ser diferente num
grupo de iguais. Para fazer parte do grupo é importante que o jovem
compreenda sua deficiência e seja capaz de explicá-la às pessoas de
uma forma positiva.
A criança com
hidrocefalia associada a mielomeningocele aprende como qualquer outra, ela apenas precisa de mais tempo e que a forma de aprendizagem seja bem estruturada.
É importante que a família tenha conhecimento das dificuldades que seu filho está tendo na escola para poder orientar o professor quanto a melhor forma de ajudar e evitar que as dificuldades do professor em lidar com necessidades especiais na aprendizagem sejam maiores que as reais limitações do seu filho.
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