|
Esta malformação consiste no deslocamento de algumas estruturas da base do
cérebro para dentro do canal espinhal. A malformação de Arnold Chiari do
tipo II está relacionada à espinha bífida. Geralmente esta malformação
obstrui a passagem para a circulação do líquido cefalorraquidiano causando
hidrocefalia. Além das tonsilas (amígdalas) do cerebelo, existe também
deslocamento da “vermis” inferior (feixe de tecido conectando as duas
metades do cérebro), do quarto ventrículo, do plexo coróide e da medula. O
grau de deslocamento varia podendo se estender até a metade do pescoço.
Embora esta malformação esteja presente na maioria das pessoas com
mielomeningocele, somente algumas apresentarão sintomas que justificam
tratamento. O tratamento é cirúrgico e bastante complexo. As crianças que
desenvolvem dificuldades devido à malformação de Arnold Chiari podem
apresentar um estridor na respiração, choro mais alto, episódios de apnéia,
disfagia com regurgitação nasal associada. Geralmente elas assumem uma
postura jogando a cabeça para trás e inclinando-a para
um dos lados. As crianças mais velhas podem apresentar dor de cabeça,
alteração de voz, episódios de desmaios, movimento anormal dos olhos.
Se a criança desenvolver
hidromielia, que consiste no acúmulo
de líquido dentro do interior da medula, poderá ter a sensibilidade
alterada, aumento de espasticidade nos braços e pernas e fraqueza
progressiva.
O diagnóstico é feito a partir de uma ressonância magnética.
Primeiro deve ser descartada a possibilidade dos problemas estarem
ocorrendo por mau funcionamento da válvula. Se os sintomas são devidos à
malformação de Arnold Chiari, o tratamento é difícil e controverso,
afinal,
trata-se de um cérebro malformado com compressão na medula espinhal. Na
hora de tomar uma decisão cirúrgica, o neurocirurgião deve levar em conta
a condição da criança antes do começo da progressão dos sintomas e no grau
de incapacidade que a criança apresenta.
|