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CONTINÊNCIA - BEXIGA & INTESTINO 

A BEXIGA 

O sistema urinário é um dos mais vitais no corpo humano. Ele tem duas funções: filtrar resíduos e excesso de água do nosso sangue para formar urina e retornar para o sangue sais e outras importantes substâncias químicas. É extremamente importante para a sua saúde que o sistema urinário funcione adequadamente.

COMO O SISTEMA URINÁRIO FUNCIONA 

O sistema urinário consiste de um par de rins, dois ureteres, uma bexiga, um músculo (esfíncter urinário) e uma uretra. Os rins são feitos de um tecido filtrante especial através do qual todo o sangue do corpo passa várias vezes por dia. Eles filtram o material utilizável do sangue e mandam o excesso de água e resíduo para a bexiga através de tubos finos (ureteres).  Cada ureter tem uma aba de pele na sua extremidade, a qual se fecha para impedir a urina de retornar para o rim.

Ureteres e rins normais                                                   Ureteres dilatados

                                                                                              Bexiga aumentada

                                                                                              Rins danificados

A bexiga é um balão revestido por um músculo com capacidade de cerca de 300/400 ml para uma criança de 12 anos e aproximadamente a metade para uma criança de 3 ou 4 anos. Quando a bexiga fica totalmente expandida e não pode mais reter qualquer urina, receptores sensitivos alertam o cérebro e este envia uma mensagem para os músculos da bexiga se contraírem. Quando a bexiga se contrai a pressão sobe e a urina é empurrada através de um tubo curto, chamado uretra, sendo eliminada do corpo. A uretra é envolvida por um músculo circular, o esfíncter urinário que se contrai para conter a urina ou se relaxa para permitir que a urina esvazie a bexiga e saia do corpo. Este músculo (esfíncter) é voluntário, permitindo que a pessoa escolha quando urinar. 

COMO A ESPINHA BÍFIDA AFETA O SISTEMA URINÁRIO 

Uma pessoa com espinha bífida geralmente nasce com o sistema urinário intacto porém com o correr do tempo a paralisia decorrente da lesão no sistema nervoso  produz uma condição conhecida como bexiga neurogênica. Isto acarreta uma forma de incontinência que é associada a uma perda involuntária de urina que pode ser parcial ou total e é causada pelo dano aos nervos na região sacra. Este dano aos nervos pode afetar uma ou mais das seguintes partes: a bexiga, o esfíncter urinário ou a aba muscular presa ao ureter. 

A bexiga neurogênica pode ser flácida ou espástica. Uma bexiga flácida é fraca e não consegue se contrair completamente para forçar a saída da urina. Quando a bexiga flácida fica cheia, o excesso de urina extravasa e escoa para fora do corpo através da uretra. A urina goteja continuamente para fora e quando excesso de pressão é aplicado na bexiga, como acontece quando se ri ou chora, este gotejamento se torna mais intenso. No entanto a bexiga nunca esvazia completamente e alguma urina residual sempre permanece nela. 

Ao contrário da bexiga flácida, a bexiga espástica quase não armazena urina. Os músculos que envolvem este tipo de bexiga são extremamente sensíveis e irritáveis. Eles se contraem e expelem urina imediatamente após ela ter entrado na bexiga. Embora a bexiga esteja continuamente se contraindo, um pouco de urina sempre permanece na bexiga. 

O funcionamento da bexiga também é influenciado pela pressão no seu interior uma vez que pressão é necessária para forçar a urina a sair. Baixa pressão na bexiga resulta em esvaziamento incompleto; pressão alta pode forçar urina através dos ureteres e rins (refluxo). 

Este escoamento reverso da urina pode ser muito danoso para o sistema urinário, especialmente para os rins. Normalmente uma aba muscular nos ureteres se fecha e, uma vez tendo deixado os rins, a urina não pode retornar. No entanto os músculos que controlam esta aba geralmente estão danificados e em vez de seguir o trajeto dos rins para a bexiga e daí para fora do corpo, a urina escoa de volta dos ureteres para os rins.

A pressão no interior da bexiga é influenciada pelo controle do esfíncter urinário. Se os nervos foram danificados, o músculo esfincteriano pode ser ou apertado demais ou relaxado demais. Quando o músculo é apertado, a urina fica retida na bexiga e com freqüência é forçada a voltar para os rins através dos ureteres (refluxo, conforme descrito acima). No entanto, se o músculo esfincteriano é relaxado demais, a urina vaza continuamente para fora do corpo. 

É muito importante para a saúde de uma pessoa que a bexiga seja completamente esvaziada com regularidade. A urina que permanece na bexiga constitui um excelente meio de cultura para bactérias que crescem em condições quentes e úmidas. Infecções repetidas e severas, ao longo do tempo, danificam os rins e prejudicam sua capacidade de filtração. 

Os sinais de uma infecção do trato urinário são urina turva e descorada, febre, calafrios e tremores, dor de cabeça, fadiga, náusea, dor e um aumento da freqüência e necessidade de urinar. Uma pessoa com espinha bífida que tem paralisia nas suas extremidades inferiores deve monitorar com cuidado a aparência da sua urina uma vez que ela pode não ser capaz de sentir os primeiros sinais de aviso  (por exemplo, dor ao urinar) de uma infecção do trato urinário. 

Incontinência urinária geralmente afeta aquelas crianças que têm o tipo mais severo de espinha bífida (mielomeningocele) mas isto também pode afetar as crianças com formas menos graves desta má-formação neurológica (espinha bífida oculta e meningocele).

COMO LIDAR COM A INCONTINÊNCIA URINÁRIA  

*Medicação

*Horário para ir ao banheiro / programa de treinamento. A palavra chave é    REGULARIDADE

*Roupas adaptadas e produtos específicos para incontinência (por exemplo, fraldas)

*Possíveis cirurgias, como por exemplo:

 Aumento da bexiga

  Esfíncter artificial

   Uretrostomia do períneo

*Cateterismo intermitente limpo (não estéril) 

Nota:  Geralmente uma combinação das sugestões acima é necessária para se ter sucesso na obtenção de continência.
As crianças com espinha bífida devem ir regularmente ao médico a fim de monitorar o funcionamento dos rins e da bexiga.

CATETERISMO INTERMITENTE LIMPO 

Este é um procedimento pelo qual a bexiga é drenada várias vezes por dia com um cateter, sendo usada uma técnica limpa porém não estéril. Este é um procedimento não médico.
O objetivo do cateterismo intermitente limpo é ajudar a lidar com o funcionamento anormal da bexiga através da melhoria do esvaziamento da bexiga e redução do vazamento de urina, ajudando assim a proteger os rins de serem danificados.
Normalmente a criança é encorajada a desenvolver a habilidade de fazer o cateterismo intermitente limpo de forma independente no maternal ou pré escolar, sendo este aprendizado feito formalmente no primário. Geralmente a maior parte das crianças aprendem a manejar o cateter e se tornam basicamente independentes por volta dos 8 anos de idade.
 

O INTESTINO 

O corpo humano é projetado para eliminar o resíduo dos produtos que ele não pode utilizar. Se não descartamos estes resíduos ficamos muito doentes. Os órgãos que ajudam nosso corpo a eliminar os resíduos são parte do sistema digestivo inferior e são conhecidos como “intestinos”. 

COMO O INTESTINO FUNCIONA 

O sistema digestivo inferior consiste do intestino delgado, do intestino grosso, do reto, dos esfíncteres anais interno e externo e do canal anal. O intestino grosso armazena o material residual. A intervalos regulares, não controlados, este resíduo é empurrado do intestino grosso para o reto por uma série de ondas e contrações conhecidas como movimentos peristálticos. O esfíncter anal interno, que é o músculo localizado abaixo do reto, se abre automaticamente quando sente que existem fezes no reto. Nervos localizados no canal anal mandam uma mensagem para o cérebro indicando que devemos evacuar. O ato de defecar não ocorre naquele momento particular por causa do esfíncter externo, um músculo que geralmente aprendemos a controlar entre as idades de um e três anos. Quando é conveniente (por exemplo, quando estamos sentados no vaso sanitário), este músculo se relaxa e uma combinação de contrações do reto e retesamento dos músculos do estômago empurra as fezes para fora do corpo. 

COMO A ESPINHA BÍFIDA AFETA O INTESTINO 

Quase todas as pessoas nascidas com espinha bífida têm problemas intestinais. Da mesma forma que a maioria das condições associadas à espinha bífida, problemas intestinais são decorrentes de nervos danificados no nível inferior da medula. Nervos danificados geralmente afetam três áreas do sistema digestivo inferior:

·        o esfíncter anal externo

·        o mecanismo que nos avisa que o reto está cheio e

·        os músculos que ajudam o corpo a eliminar os resíduos 

Num sistema digestivo inferior que funciona normalmente o esfíncter externo se contrai quando o reto está cheio e retém as fezes no canal anal. No entanto, para uma pessoa com espinha bífida, uma vez que existe pouco ou nenhum controle sobre o esfíncter anal externo, as fezes com freqüência saem em ocasiões inadequadas.
Sensibilidade limitada afeta a capacidade de perceber quando o reto está cheio e nervos danificados impedem o cérebro de receber a mensagem para esvaziar o intestino. Se não é percebido que o intestino está cheio e não existe controle do esfíncter externo então o sistema digestivo inferior pode se abrir quando menos se espera.
Muitas pessoas com espinha bífida têm músculos estomacais e pélvicos fracos. Estes músculos são usados para empurrar as fezes para fora do corpo. A combinação de sensibilidade limitada nos nervos do sistema digestivo inferior e músculos fracos pode levar a uma série de problemas tais como constipação, impacção fecal e prolapso do reto.
Constipação ocorre quando as fezes são incapazes de serem removidas do corpo e se tornam endurecidas porque a água que elas contêm é reabsorvida no organismo. Estar constipado pode fazer uma pessoa se sentir enjoada, nervosa e, geralmente, bastante doente.

 

COMO LIDAR COM A CONTINÊNCIA FECAL 

·        Dieta rica em fibras e beber bastante água

·        Medicação

·        Horário para ir ao banheiro / programa de treinamento. A palavra chave é REGULARIDADE

·        Enemas, como por exemplo lavagem do intestino 

·        Evacuação manual

·        Exercício

·        Procedimentos cirúrgicos, tais como o Princípio de Mitrofanoff. 

Os objetivos genéricos dos programas de manipulação do intestino são: 

·        A redução da incontinência através do estabelecimento da evacuação regular do intestino

·        A redução do risco de um megacolon

·        Conseguir uma continência social, independência e confiança nas estratégias para lidar com o intestino 

CONTINÊNCIAS URINÁRIA E FECAL NA ESCOLA 

A criança com espinha bífida provavelmente vai ter alguns problemas relacionados à continência e portanto vai precisar de: 

·       Banheiros adequados:

Acessíveis a cadeiras de rodas (se necessário)

Pia, armário e lata de lixo no banheiro

Limpeza no banheiro

Privacidade

·      Ajuda em termos de supervisão e / ou assistência durante o cateterismo

·      Tempo maior para ir ao banheiro

·       Uma rotina estabelecida para ir ao banheiro

·       Forma de lidar com acidentes:

Muda de roupas

Cadeira de rodas limpa

Passar água nas roupas que se sujarem

·      Ser avisada de que houve um acidente, pois as crianças nem sempre estão a par desta situação

·      Informar a professora se houver uma mudança na maneira de lidar com a incontinência e as possíveis conseqüências de tal    mudança

·      Beber líquidos regularmente para minimizar as infecções do trato urinário. 

O sistema que for posto em prática deve sempre resguardar a dignidade da criança. 

EXPLICAÇÃO DE TERMOS USADOS

Aumento da Bexiga 

Um procedimento cirúrgico através do qual uma parte do intestino é cortado e costurado na bexiga, por meio de uma abertura cirúrgica. Isto é feito para criar uma bexiga maior com capacidade aumentada. 

Uretrotomia do Períneo 

A criação de uma abertura para a uretra através do períneo a fim de facilitar o cateterismo. 

Esfíncter Urinário Artificial 

Um procedimento cirúrgico através do qual um pequeno anel cheio de fluido é colocado em torno do colo da uretra. Um dispositivo pneumático também é colocado, o qual, quando ativado, alivia a pressão no anel permitindo que a urina escoe. 

Enema 

A criação de um estoma (abertura) para facilitar o acesso ao intestino grosso a fim de se fazer uma lavagem do intestino. O apêndice geralmente é usado como o canal entre a abertura e o intestino. 

Megacolon 

Uma parte super distendida do intestino devido a algum bloqueio tal como constipação.

Nota: Este trabalho foi desenvolvido pela ASBAH - Association for Spina Bifida and Hydrocephalus e traduzido por Vera/Sérgio Costa.